Natal: celebração da salvação humana

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“Naqueles tempos apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade. Também José subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com a sua esposa Maria, que estava grávida. Estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho primogênito e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia nos arredores uns pastores que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor. O anjo disse-lhes: ‘Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor’” (Mt 2, 1-11).


Natal é motivo de alegria para toda a humanidade, pois vem nos lembrar que temos um Salvador que, mesmo divino, fez-se homem e veio habitar no meio de nós, a fim de vivenciar a nossa frágil humanidade. É a partir dessa condição humana de Jesus que o Pai nos aproxima de forma concreta de sua divindade. Essa certeza vem nos encorajar a suportar e enfrentar os nossos desafios e fraquezas do dia-a-dia enquanto pessoas vulneráveis na carne e no espírito.


O Natal de Jesus nos enche de esperança e nos revigora as forças para fazer da nossa caminhada aqui na terra um discipulado no seio da nossa família, da nossa comunidade e da sociedade como um todo, com vistas a edificarmos o Reino do Cristo Senhor. 


Natal é também abertura de coração, principalmente para os pequeninos de Jesus que, assim como Ele, nascem todos os dias em condições muito simples, muitas vezes até precárias – porque não há lugar para eles na nossa sociedade. E o que seria dos pobres e excluídos se não pudessem contar com o amparo e consolo de Deus quando lhes falta a solidariedade dos próprios irmãos?


O Natal nos exige uma atitude de acolhimento, perdão, participação e fraternidade para com o nosso próximo que espera a nossa compaixão pela sua dor e sofrimento. Jamais poderemos vivenciar o verdadeiro Natal do Senhor sem volvermos o nosso olhar para os que sofrem privações e abandono sociais. O Natal nos convoca a enxergar, nessa mesma manjedoura, o rosto crucificado do irmão faminto, desabrigado e excluído da nossa vida.


Que neste Natal possamos festejar o nascimento de Jesus de uma forma concreta, incluindo nessa mesma celebração – além dos familiares e amigos – aqueles pelos quais o Salvador veio ao mundo como real esperança de vida digna e plena de alegria e de paz.

Procuremos, dessa forma, sair de nossa acomodação e ir ao encontro dos pobres, dos doentes, dos encarcerados e dos abandonados em orfanatos e asilos para experimentarmos o estado natalino que o Pai deseja nos revelar através do nascimento do seu Filho primogênito.


Que nessa Noite de Natal o milagre da partilha se realize no meio de nós!


FELIZ NATAL EM CRISTO JESUS!