Papa aprova 3 novas canonizações

3

A Santa Sé anunciou hoje a realização, na segunda-feira, 21 de fevereiro, do consistório ordinário público, em que se decidirá a data da canonização de três fundadores de congregações religiosas.


São eles: os Beatos italianos Guido Maria Conforti e Luigi Guanella, e a Beata espanhola Bonifacia Rodríguez de Castro, os três praticamente contemporâneos.


Guido Maria Conforti (1865-1931) foi arcebispo de Parma. É o fundador da Pia Sociedade de São Francisco Xavier para as Missões Exteriores (conhecida como “Missionários Xaverianos”).


Luigi Guanella (1842-1915), sacerdote, fundou duas congregações, ambas para ajudar os marginalizados durante a revolução industrial: os Servos da Caridade e o Instituto das Filhas de Santa Maria da Providência.


Bonifacia Rodríguez de Castro (1837-1905) é a fundadora da Congregação das Servas de São José, para a promoção social e cristã das mulheres operárias.

Santificação no trabalho


A Madre Bonifacia, natural de Salamanca, foi beatificada em 9 de novembro de 2003, por João Paulo II.


Nascida em Salamanca e órfã de pai muito cedo, Bonifacia viveu na própria carne o drama das condições de trabalho de muitas mulheres durante o século XIX.


Sentindo desde muito jovem uma vocação religiosa, Bonifacia se encontrou com o jesuíta catalão Francisco Javier Butinyà i Hospital (1834-1899), que chegou a Salamanca em outubro de 1870, com grande zelo apostólico pelo mundo dos trabalhadores manuais.


Encorajada por ele, fundou a Congregação das Servas de São José, com o objetivo de criar “Casas-Oficinas de Nazaré” para as mulheres pobres que não tinham trabalho, onde lhes era ensinado um ofício e se dignificava sua vida.


Alguns anos mais tarde, devido à desunião que alguns eclesiásticos semearam em Salamanca, e marginalizada por suas filhas espirituais, Bonifacia foi destituída como superiora e orientadora do Instituto.


Diante das humilhações, desprezos e calúnias que recebeu, sua resposta foi o silêncio, a humildade e o perdão. Venerada como santa, morreu em Zamora, a 8 de agosto de 1905, deixando como legado um caminho de espiritualidade baseado na santificação do trabalho unido à oração, na simplicidade da vida cotidiana.


Na cerimônia de sua beatificação, João Paulo II disse: “As palavras de Jesus no Evangelho proclamado hoje – ‘Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio’ – interpelam a sociedade de hoje, às vezes tentada a transformar tudo em mercadoria e lucro, deixando de lado os valores e a dignidade que não têm preço. Sendo a pessoa imagem e morada de Deus, é necessária uma purificação que a defenda, independentemente da sua condição social ou da sua atividade de trabalho”.


“A isso se consagrou inteiramente a Beata Bonifacia Rodríguez de Castro, que, sendo ela mesma uma trabalhadora, percebeu os riscos desta condição social na época. Na vida simples e oculta da Sagrada Família de Nazaré, encontrou um modelo de espiritualidade do trabalho, que dignifica a pessoa e faz de toda atividade, por mais humilde que possa parecer, uma oferenda a Deus e um meio de santificação.”