Paróquia da Glória recebe 73 moradores de rua na Jornada Mundial dos Pobres

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Por Eugênio Furtado*

A Jornada Mundial dos Pobres, promovida pela Paróquia N. Sra. da Glória (PNSG) no dia 11 de novembro, é uma resposta à proposta feita pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em alusão ao Dia do Pobre (celebração criada pelo Papa Francisco em 2017, por ocasião do Jubileu Extraordinário da Misericórdia). O evento – uma iniciativa da Pastoral da Promoção Humana e da Obra Lumen de Evangelização – teve 73 moradores de rua inscritos, dos quais 24 saíram das ruas e foram para Casas de Acolhimento da Obra Lumen. A Jornada Mundial dos Pobres da PNSG foi um grande ato de amor, um abraçar “Jesus Abandonado” naqueles que são os mais amados por Deus, seus pobres.

Atendendo ao pedido do Papa, “Desejo uma Igreja pobre para os pobres”, a PNSG recebeu irmãos que viviam em situação de abandono e lhes proporcionou uma manhã de louvor, adoração e oração. A eles também foram oferecidos um café-da-manhã, almoço e um kit de higiene. Não foi simplesmente uma “ação social”. Longe disso, o que se viu foi um verdadeiro resgate da dignidade desses irmãos. Mais que poder ter, pelo menos por um dia, uma refeição de qualidade, esses irmãos puderam sentir concretamente o amor que Deus tem por eles.

Regina Célia Pires, coordenadora da Pastoral da Promoção Humana, nos conta que o evento começou a ser idealizado já no início deste ano e que foi uma oportunidade de engajar toda a comunidade. Regina disse que muitas pessoas que não puderam servir pessoalmente colaboraram com materiais e recursos financeiros. Foram cerca de 60 pessoas servindo no evento.

Segundo João Lucas, membro da Obra Lumen, a comunidade se engajou, efetivamente, nos últimos três meses, em virtude da experiência que seus integrantes têm em eventos desse porte e qualidade. “Participar deste evento com a Pastoral da Promoção Humana e com toda a Paróquia é estar em comunhão com a Igreja e responder ao chamado do próprio Cristo (que nos convida, segundo Mateus 25, a fazer obras de caridade): “Tudo que fizeste ao menor dos meus irmãos, foi a mim que fizeste”, conclui.

Ao final do evento, 24 irmãos foram recebidos nas casas de acolhimento da Obra Lumen de Evangelização.

O que eu vi: o repórter a serviço

Como membro da Pascom e tendo filho participando do Éfeta, grupo de jovens capitaneado Lumen/PNSG, eu e minha família soubemos, logo no início da organização, do evento e, imediatamente, nos colocamos à disposição para o serviço. Eu pela PASCOM, Renata, minha esposa, e Pedro, meu filho, para onde precisassem de ajuda. Pareceu-nos natural servir. Afinal, é para isso que nos engajamos na Paróquia. Entretanto, o que vivemos lá foi muito além do sentimento de dever cumprido. Muito além.

O Papa Francisco, em sua mensagem, por ocasião do VII Dia Mundial dos Pobres, nos alerta sobre o momento histórico que vivemos. Este momento não favorece a atenção aos mais pobres. A sociedade grita o bem-estar de todos, mas silencia as vozes de quem vive na pobreza. A Jornada foi excelente para os irmãos em situação de vulnerabilidade social convidados. Foi um verdadeiro resgate da dignidade. Um ‘olhar no olhar’ que diz: eu te vejo e você é importante para Deus e para nós! Não importa o que você fez ou de onde veio, você precisa e merece ser amado. Deus te ama. Nós estamos aqui para demonstrar esse amor de Deus.

Assim, vários irmãos foram tocados pelo Espírito Santo, muitos largaram ali mesmo drogas que carregavam. Vários acolheram Jesus em seu coração e decidiram efetivamente mudar de vida. Dali, estes que decidiram não mais voltar para as ruas foram levados para casas de acolhimento mantidas pela Obra Lumen.

Se só isso já seria maravilhoso o bastante, tenho que admitir que os maiores beneficiados foram aqueles que se colocaram como instrumento de Deus para esses irmãos. A humildade e alegria com que se deixavam amar, apesar de todo sofrimento e injustiça que recai sobre seus ombros, era um soco em nosso estômago. Preciso ser honesto, ainda não me recuperei da experiência. Nós que servimos, tenho certeza, fomos quem mais se beneficiou da graça. Como seguir em frente, indiferentes aos pequenos de Deus? Impossível!

Não só isso, o exemplo de muitos que lá serviram foi testemunho do amor transformador de Jesus. Nosso (meu) olhar preconceituoso, que traía o pensamento: aquele (ou aquela) com essas roupas, com esse perfume, limpinha, jeans “de marca”… ah, veio só pelo “oba oba”… Eu não podia estar mais enganado! Essas pessoas, em sua juventude, mostraram mais maturidade e amor ao outro do que eu nunca pensei um dia alcançar. Depois de sábado, descobri que tenho muito caminho a percorrer, se eu quiser ser santo. As pessoas que serviram diretamente em contato com os irmãos talvez nem tenham consciência que exalam santidade. Uma santidade tão genuína quanto humilde. Uma santidade igual a de João Batista que afirmava: “Convém que Cristo cresça e que diminua eu”, (Jo, 3, 30).

Que venham as próximas ações de promoção humana na nossa PNSG e que não demorem!

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*Eugênio Furtado é jornalista, membro da PASCOM, Acolhida e ECC da Paróquia Nossa Sra da Glória.

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Créditos: Talisson Figueiredo e Eugênio Furtado