“Senhor, que eu veja!”: fé, caridade e perdão marcam 13ª noite da Festa da Padroeira

Por Teresa Germana (PASCOM) | Edicão: Patrícia Guabiraba 

A noite de quinta-feira, 13 de agosto, ficará marcada na história da comunidade da Paróquia Nossa Senhora da Glória. Integrando a programação especial do Ano Jubilar da Paróquia, a celebração reuniu centenas de fiéis em uma noite de fé, oração, confraternização e música, unindo a profundidade espiritual da celebração litúrgica à alegria da convivência comunitária.

O chamado à luz, à verdadeira caridade e ao perdão sem limites

A celebração eucarística foi presidida pelo Padre Davi Melo, da Arquidiocese de Olinda e Recife. Em sua homilia, o sacerdote conduziu a assembleia por uma reflexão sobre a luz, a verdadeira caridade e o perdão, a partir das leituras propostas para a liturgia.

Ao recordar a vida de Santa Dulce dos Pobres, cuja memória é celebrada em 13 de agosto, Padre Davi destacou que a glória de Deus se manifesta naqueles que se fazem pequenos e colocam a própria vida a serviço dos irmãos.

O sacerdote lembrou episódios da trajetória de Santa Dulce, desde a infância, quando gostava de jogar futebol e frequentava a Missa com a família, até momentos marcantes de sua missão junto aos mais pobres. Entre eles, citou o período em que, após ser impedida de permanecer em outros espaços, acolheu doentes no galinheiro do Convento do Bonfim.

Ao refletir sobre a missão da Igreja, Padre Davi também recordou o alerta do Papa Francisco para que a Igreja não se transforme em uma simples “ONG filantrópica”. A caridade cristã, destacou, nasce da experiência com Deus e conduz ao encontro concreto com o outro.

FOTOS SITE IGREJA – 2

A partir da profecia de Ezequiel (12,1-12), o celebrante chamou a atenção para a cegueira interior que pode atingir não apenas aqueles que estão afastados de Deus, mas também quem já está dentro das igrejas. Segundo a reflexão apresentada, a atrofia da vontade pode comprometer a capacidade de discernir os sinais de Deus.

Nesse contexto, ecoou na homilia o clamor de Bartimeu: “Senhor, que eu veja!”. Mais do que enxergar com os olhos, o pedido se torna uma oração para que cada cristão tenha a graça de reconhecer a presença e a vontade de Deus em sua própria vida.

Ao abordar o Evangelho, Padre Davi destacou ainda a radicalidade do perdão cristão. O convite de Jesus não é para perdoar apenas algumas vezes, mas “setenta vezes sete”, expressão que aponta para um perdão sem limites.

Para ajudar a assembleia a compreender a profundidade desse ensinamento, o sacerdote apresentou testemunhos de pessoas que viveram o perdão de maneira extraordinária. Entre eles, a história de Santa Maria Goretti, que, no leito de morte, perdoou seu agressor, Alessandro, e manifestou o desejo de encontrá-lo no Paraíso. Anos mais tarde, Alessandro se converteu e tornou-se monge. O relato reforçou a mensagem central da homilia: o perdão cristão não ignora a dor, mas pode transformar vidas e abrir caminhos para a reconciliação.

O grande baile de Luisinho Magalhães e Banda

A noite de festejos foi coroada com o aguardado show de Luisinho Magalhães e Banda, verdadeiro patrimônio da música cearense e mestre dos bailes nostálgicos. Com uma performance impecável e arranjos vibrantes, o grupo transformou o espaço paroquial em um grande salão de festa, reunindo famílias, jovens e idosos em um momento singular de comunhão e entusiasmo.

Demonstrando toda a sua versatilidade, Luisinho Magalhães embalou a plateia com um repertório recheado de clássicos inesquecíveis dos anos 60, 70 e 80, MPB e ritmos dançantes. O show encerrou a quinta-feira com chave de ouro, reafirmando que a Festa da Padroeira 2026 é uma celebração onde a fé devocional e a fraternidade comunitária caminham de mãos dadas.

Galeria de fotos