Conselho Arquidiocesano de Pastoral de Fortaleza reflete novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil

Pe. Watson Façanha, coordenador de Pastoral, Dom Jânison de Sá, Bispo auxiliar e Dom Gregório Paixão,OSB,arcebispo metropolitano de Fortaleza. Foto: Sercom/ ArqFor

A Arquidiocese de Fortaleza realiza, neste sábado, 23 de maio, das 8h às 12h, no Centro de Pastoral “Maria, Mãe da Igreja”, a reunião do Conselho Arquidiocesano de Pastoral. O encontro tem como tema central as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), aprovadas por unanimidade pelos bispos durante a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada no último mês de abril.

Foto: Sercom/ArqFor

A explanação sobre o documento é conduzida por Dom Jânison de Sá, que integra o grupo de trabalho responsável pela elaboração das novas diretrizes, texto que ainda será oficialmente publicado pela CNBB.

As novas DGAE irão orientar a ação evangelizadora da Igreja no Brasil pelos próximos seis anos e surgem como fruto de um amplo processo sinodal, em sintonia com o Sínodo sobre a Sinodalidade convocado pelo Papa Francisco. O documento também busca responder às profundas transformações sociais, culturais e religiosas da atualidade.

Parte da equipe que conduziu o processo de aprovação das diretrizes durante a 62ª AG CNBB. | Fotos: Jaison Alves.

Segundo o texto aprovado pelos bispos, as diretrizes têm como objetivo assegurar que a Igreja no Brasil permaneça fiel às suas três tarefas permanentes: anunciar, santificar e testemunhar.

Igreja como “tenda do encontro”

Estruturado em seis capítulos, o documento apresenta a imagem da Igreja como “tenda do encontro”, inspirada na passagem do Evangelho de João: “A Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14). A proposta é apresentar uma Igreja aberta, acolhedora e sempre capaz de ampliar espaços para acolher as pessoas em suas diferentes realidades.

Reunião do Conselho Arquidiocesano de Pastoral. Foto: Claima Aguiar.

O segundo capítulo aborda “A escuta dos sinais”, a partir da exortação de Jesus: “Sabeis distinguir o aspecto do céu, mas não reconheceis os sinais dos tempos!” (Mt 16,3). O texto propõe que a Igreja esteja atenta tanto aos desafios do mundo atual quanto aos sinais de esperança e à ação do Espírito Santo presentes nas comunidades.

Já o terceiro capítulo, intitulado “Discernimento para uma Igreja Sinodal”, destaca a necessidade de uma Igreja movida pelo Espírito Santo, capaz de rever caminhos, renovar estruturas e discernir melhor as formas de anunciar o Evangelho no contexto contemporâneo.

Povo de Deus em missão

O quarto capítulo reforça o chamado missionário dirigido a todo o povo de Deus. Inspirado no Evangelho de Marcos: “Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de todos” (Mc 9,35), o documento recorda que todos os batizados são chamados a testemunhar e anunciar o Evangelho.

Entre os grupos destacados estão leigos e leigas, famílias, crianças, adolescentes, jovens, mulheres, pessoas com deficiência e neurodivergência, idosos, membros da vida consagrada e ministros ordenados. A perspectiva é fortalecer uma Igreja marcada pelo serviço, pela participação e pela corresponsabilidade.

Caminhos concretos para a missão

O quinto capítulo apresenta os chamados “Caminhos da Missão”, inspirados no mandato de Cristo: “Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos” (Mt 28,19). O texto aponta modos concretos de efetivar as propostas das diretrizes, para que todos encontrem na Igreja “lugar, sentido e envio na missão”.

Entre os eixos prioritários estão:

  • animação bíblica da pastoral;
  • iniciação à vida cristã;
  • comunidades de discípulos missionários;
  • liturgia e piedade popular;
  • serviço à vida plena para todos, com atenção à opção pelos pobres, à defesa da vida e à ecologia integral.
  • Conversão das relações, processos e vínculos

O sexto e último capítulo trata dos “Compromissos Sinodais” e é considerado o coração do documento, ao propor uma profunda conversão pastoral em três dimensões: relações, processos e vínculos.

Na conversão das relações, o texto destaca temas como proteção de menores e comunicação eclesial. Já a conversão dos processos busca garantir maior participação dos fiéis nas decisões da Igreja, fortalecendo assembleias, conselhos pastorais, conselhos econômicos e a vivência do dízimo.

O documento ressalta ainda que os processos de tomada de decisão devem ser cada vez mais abertos, participativos e pautados pela escuta e pelo diálogo fraterno, evitando decisões unilaterais ou manipuladas.

Entre os caminhos de discernimento citados estão o método Ver-Julgar-Agir e a Conversação Espiritual, ambos voltados para fortalecer a participação e a escuta de todos os envolvidos na missão evangelizadora.

A conversão dos vínculos propõe uma Igreja mais enraizada nas realidades locais, atenta às exigências culturais e urbanas e aberta ao diálogo ecumênico e inter-religioso, em sintonia com o Pacto Educativo Global lançado pelo Papa Francisco.

Esperança e missão evangelizadora

Na conclusão, o documento reafirma a esperança cristã como força que sustenta a missão evangelizadora da Igreja diante dos desafios do mundo atual. As diretrizes reforçam a centralidade de Jesus Cristo, a importância da acolhida, da vida comunitária e da perseverança missionária.

A imagem da “tenda” reaparece como símbolo de uma Igreja que acolhe, cuida, celebra a fé e serve à vida. Sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida, apresentada como “Estrela da Evangelização”, a Igreja no Brasil é chamada a enfrentar os desafios dos novos tempos com fidelidade ao Evangelho.

O texto termina retomando o envio missionário de Cristo: “Ide… eu estarei convosco todos os dias” (Mt 28,19-20).

Fonte: https://www.arquidiocesedefortaleza.org.br/conselho-arquidiocesano-de-pastoral-de-fortaleza-reflete-novas-diretrizes-da-acao-evangelizadora-da-igreja-no-brasil/